Perguntas e Respostas sobre Alfabetização

Perguntas retiradas do livro “Reflexões sobre Alfabetização”, escrito por Emília Ferreiro.

Explique porque a língua portuguesa é uma escrita alfabética?

R: Porque a língua portuguesa utiliza o alfabeto, ou seja, grafemas que podem ser vogais ou consoantes.

Como pensa o alfabetizador que concebe a escrita como codificação (código de transcrição)? E aquele que concebe a aprendizagem da escrita como sistema de representação?

R: O professor que pensa que a escrita é codificação, fará o aluno decorar o alfabeto e ser um aluno copista. Já o professor que percebe que a escrita é representação, fará o aluno descobrir como a escrita funciona (construtivismo).

Qual a importância das produções espontâneas (sondagem) da criança para o alfabetizador?

R: A escrita espontânea é a criança escrever o que ela sabe (sondagem). Essa escrita serve para mostrar como  a criança pensa a escrita e em qual fase da alfabetização a criança se encontra.

Como aparecem as primeiras  escritas infantis (pré-silábica)?

R: Elas aparecem em formas de garatujas.

Quais são os aspectos gráficos e construtivos da escrita infantil que o alfabetizador deve observar?

R: Aspecto gráfico da escrita: é a qualidade dos traços, distribuição espacial das formas. É saber se a criança escreve as letras direitinho e ver o espaço que ocupa nas folhas.

Aspecto construtivo da escrita: diz respeito de como a criança pensa a escrita. Se ela coloca uma letra para cada sílaba. É o funcionamento da escrita, quantas letras precisa por para a criança escreve

Do ponto de vista construtivo, explique os três períodos por que passa a criança na alfabetização?

R: 1º a criança percebe a diferença entre desenho e escrita (icônico e não icônico).

2º construção das formas de diferenciação de letras: a criança percebe a diferença entre as letras.

Diferenciação ou eixo quantitativo: a criança percebe que as palavras tem uma quantidade de letras.

Eixo qualitativo: a criança descobre que as letras são diferentes uma das outras. Cada letra do alfabeto é diferente e ela sabe que não pode repeti-las.

3º Fonetização da escrita: a criança descobre a sílaba. Ela escreve uma letra para cada sílaba.

Explique o primeiro período de distinção entre o modo de representação icônico e não icônico?

R: Quando a criança desenha (garatujas) ela está no domínio do Icônico (não distingue desenho da escrita) e quando ela escreve e sabe a diferença entre o desenho e as letras, ela está no domínio do Não Icônico.

Explique os critérios de diferenciação intrafigurais e interfigurais.

R: Intrafigurais: a criança vê a palavra e percebe a quantidade de letras que ela contém.

Interfigurais: a criança percebe que a letra não tem forma fixa. Que uma palavra sozinha não tem significado.

Explique o terceiro grande período da evolução da escrita da criança (silábica)? Qual é a contradição que a hipótese silábica cria para a criança?

R: É quando  a criança descobre as sílabas e escreve uma letra para cada sílaba (fase da boquinha). A contradição que ela encontra/enfrenta é quando tem que escrever palavras monossílabas (pois a boquinha só abre uma vez para falar), então ela acrescenta uma letra. Ex: Rãa

Explique o período Silábico-Alfabético.

R: A criança descobre que não pode representar a sílaba com uma letra. Ela então acrescenta letras nas palavras.

Explique a confusão entre escrever e desenhar letras.

R: Escrever é compreender o sistema de escrita. Desenhar letras é copiar os traçados na lousa, mas o aluno não entende o que está escrito.

Qual a reação do adulto diante de uma escrita desconhecida? Quais são suas dificuldades conceituais?

R: A primeira tendência é a rejeição. Ele não entende nada da escrita dessa língua e por isso a rejeita.

O que deve ser ensinado primeiro: atividades de leitura ou escrita? 

R: Leitura e Escrita devem ser ensinadas em conjunto.

A criança interaje mais com a leitura e a escrita fora ou dentro da escola?

R: A criança convive melhor com a escrita fora da escola, pois ela recebe mais informações da internet, folhetos, outdoors, rótulos, gibis, receitas e outros.

O que é necessário para enfrentar novas bases para a alfabetização? Um novo método resolve? O que é preciso?

R: É reconhecer em que fase a criança e trabalhar a partir daí. Um novo método não resolve. O professor deve colocar a criança em contato com a escrita.

Como são vistos os testes de prontidão?

R: São avaliações de nível de inteligência, esses testes são ridicularizados pois são antigos e poucos científicos.

Quando se iniciam as atividades de alfabetização, isto é, de interpretação e produção da escrita?

R: A alfabetização inicia-se antes da escolarização (1º ano). Na educação infantil a criança começará  a ser alfabetizada e irá conviver com a leitura e escrita.

Explique “a escrita não é um produto escolar, mas sim um objeto cultural”.

R: A escrita é um objeto cultural pois foi crido pela humanidade, pois a criança não usa a escrita somente na escola. Como objeto cultural a escrita ocupa diferentes posições sociais.

Explique o método  clínico ou exploração crítica utilizada por Emília?

R: O método clínico/exploração crítica: é idêntico a sondagem. É ter conhecimento do tipo de escrita da criança e sua respectiva fase. É a sondagem aplicada em forma de pesquisa.

Explique as conclusões de Emília sobre:

a)Ideias elaboradas pelas crianças a partir dos 4 anos:

R: A criança acha que o tamanho da palavra é igual ao tamanho do objeto  (hipótese de realismo nominal).

b) Dicotomia entre o figurativo x não figurativo:

R: Figurativo: a criança tem dificuldade de interpretar as letras sem o desenho e os símbolos. O figurativo ajuda a criança a interpretar o não figurativo através de desenhos.

Não Figurativo: É o conhecimento das letras sem precisar utilizar desenhos.

c) Critério da quantidade mínima de caracteres:

R: Se a palavra tiver poucas letras (três letras ou mais), a criança acha que não pode ler.

d) Variedade interna de caracteres:

R: A criança acha que não pode repetir letras, senão acha que está errado.

e) Só se pode escrever substantivos:

R: A criança acha que só pode escrever substantivos ou seja, só escreve substantivo concreto (menino, caramelo), verbos, preposição e adjetivos não existem para ela.

Quais conhecimentos específicos sobre a escrita só podem ser ensinados pelo professor ou por outros adultos ou parceiros experientes?

R: Tem coisas que somente os adultos podem ensinar à criança. Podemos citar:

  • Orientação de leitura.
  • Diferença entre letras e números.
  • Ensinar quais são as letras genéricas à criança. Letras genéricas é quando a letra está sozinha, o R por exemplo é genérico. Já o NH não é genérico, por estar acompanhado de outra letra.
  • Sinais de pontuação.
  • Como usar maiúsculas e minúsculas.

A orientação de leitura está presente em crianças de 4 anos? Há distinção de classes sociais?

R: Aos 4 ou 5 anos, a criança ainda não tem a percepção de que a leitura se inicia da esquerda para a direita e de cima para baixo. São poucas as crianças nessa faixa etária que possui esses conhecimentos. Somente por volta dos 5 anos e meio ou 6, é que a criança saberá ao certo essa orientação de leitura.

Em relação a classe social, sim, há distinção. As crianças de classe média conhecem os dois modos da leitura, enquanto a criança de classe baixa possui dificuldades para saber qual o modo certo de realizar a leitura de um livro.

Qual a diferença entre a criança que nasce em um meio letrado e a que não está inserida nesse meio?

R: A criança que nasce em um meio letrado tem a oportunidade de participar de diversas interações com o seu meio e assim desenvolver-se socialmente e cognitivamente. Já as crianças que não nascem em um meio letrado, dificilmente terá esse tipo de interação com o adulto.

Qual é o papel da escola? E do professor?

R: O papel da escola é o de montar um ambiente alfabetizador em que propicie a leitura e escrita ao aluno. Ela tem o papel de transmitir conhecimentos aos alunos que os pais não fazem.

O papel do professor é ser um facilitador do letramento da criança. Ele irá criar condições e desafios para que a criança aprenda e descubra por si mesmo.

Explique as principais conclusões de Emília Ferreiro sobre a alfabetização, sobre as quais os profissionais devem estar alertas.

R: 1 – o professor não deve pensar que a criança não consegue descobrir o sistema de escrita sozinha, não subestime as capacidade da criança.

2 – aceitar o tipo de escrita da criança em cada fase que ela estiver.

3 – aprender a analisar a escrita da criança e dar atividades que a falam avançar.

4 – fazer a criança entender o som, depois a escrita.

5 – a escrita é uma construção mental, independente da idade.

6 – abandonar o conceito de certo e errado e sim aceitar o erro construtivo.

As crianças precisam da escola e da professora para iniciar seu processo de construção da escrita?

R: Não. Pois dependendo do seu meio social, a criança poderá ter um ambiente alfabetizador em casa. E dessa forma muitas crianças entram na escola sabendo ler e escrever.

Quando começa o desenvolvimento da leitura e escrita?

R: Inicia antes da escola pelo processo de letramento (dar informações que as crianças desconhecem), e permite a criança ter contato com a leitura e escrita em atitudes sociais.

Como eram vistas as garatujas?

R: As garatujas eram ignoradas, vistas puramente como rabiscos, sem nenhum valor e  dessa forma eram desconsideradas. E hoje é vista de outra forma, pois sabe-se que é uma escrita inventada pela criança. As garatujas são consideradas como uma tentativa da criança escrever, mesmo que seja apenas rabiscos/grafismos.

Os esquemas conceituais (hipóteses) são resultantes de um processo maturacional?

R: Não. As fases pelas quais as crianças passam não são processos maturacionais, mas sim o contato com o meio social e a escrita.

O que é necessário para que o alfabetizador faça uma análise psicogenética por meio de uma sondagem?

R: Observar o desenvolvimento da criança e analisar as características de cada fase que ela se encontra.

Porque as crianças testam diversas hipóteses sobre a escrita? Qual é o problema delas?

R: Porque elas descobrem aos poucos formas de interpretar a escrita. Seu problema é entender como a escrita funciona e o que precisa fazer para escrever uma palavra.

Deve-se ou não ensinar a ler e escrever na Educação Infantil? Como?

R: Sim, pois a criança é alfabetizada no seu tempo, com estímulos e exigências. No dia-a-dia a criança já terá acesso a escrita no seu cotidiano e meio social em que vive, mas para isso ela dependerá do adulto para inciar seus conhecimentos na escrita.

Quando a criança inicia seu aprendizado de noções matemáticas? E do sistema da escrita?

R: As noções matemáticas são aprendida com maior facilidade do que o sistema de escrita. Pois haverá situações em que a criança irá ordenar seus brinquedos/objetos e em momentos sociais utilizará a contagem (contar no dedo sua idade) e também ao ver o adulto utilizar o dinheiro para comprar algumas coisas.

Com a escrita ocorre o mesmo, pois ela faz parte do seu meio social e está em todo lugar (em casa, na rua). E dependendo do meio social que a criança está inserida, ela já distingue escrita, desenho e números, e em qual momento ela utilizará cada um.

As crianças recebem informações cognitivas por meio de que procedência?

R: Ela recebe informações sobre a escrita através de: computador, televisão, revistas, jornais, cartazes, placas de sinalização, letreiros, outdoors, banners , panfletos etc.

Como a criança pode conhecer a função social da escrita?

R: Se o adulto mostra para a criança para que serve a escrita, então ela saberá sua importância no cotidiano. É possível mostrar: agenda de telefone, documentos, receitas, cartas, contas de água/luz e telefone, cartões postais, entre outros.

De que depende a prontidão para o Lector – Escritor?

R: Depende do contato que a criança tem com a leitura e escrita em atividades sociais.

Qual é a função da pré-escola? Como deve ser um ambiente alfabetizador?

R: A pré-escola tem a função da criança obter informações sobre a escrita e leitura que não foram concedidas em seu meio.

O ambiente alfabetizador deve ter: letras, números, relógio, calendário, lista dos aniversariantes da família/ou alunos, agenda da criança, estações do ano, dias da semana, biblioteca móvel (cantinho da leitura).

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